A nossa freguesia

Piedade

Junta de Freguesia de Nossa Senhora da Piedade > Freguesia

Heráldica

Brasão - Escudo de prata, um escudete de vermelho carregado de uma cruz florenciada de prata, vazia do campo, entre uma flor de lis de azul em chefe e dois ramos de sobreiro, de sua cor, em ponta. Coroa mural de prata de três torres. Listel branco, com a legenda a negro, em maiúsculas: “NOSSA SENHORA da PIEDADE - OURÉM”.

Bandeira - Verde. Cordão e borlas de prata e verde. Haste e lança de ouro.

Generalidade

Censos 2011

Total da População: 7.217

Maiores de 18 anos: 1.526

Famílias: 2.711

Alojamentos: 4.177

Edifícios: 2.159

Área: 20.52Km2

Feiras

Bi-semanal (Quintas-feiras e Sábados), Mensal (ao dia 3), Anual (25 a 31 de Outubro).

Festas e Romarias

Nossa Senhora da Piedade (1.º Domingo de Agosto), Nossa Senhora do Livramento (Domingo Gordo), Nossa Senhora do Rosário (15 de Agosto), Nossa Senhora das Mercês (dois últimos domingos de Setembro), São João (Domingo mais próximo de 24 de Junho), Nossa Senhora dos Remédios (Agosto) e Nossa Senhora do Bom Despacho (último Dom. de Julho).

Padroeira

Nossa Senhora da Piedade.

História

Nossa Senhora da Piedade é o “coração do concelho”! Esta freguesia integra a cidade-sede onde residem os serviços públicos fundamentais à dinâmica do município.

Com uma área de, aproximadamente, 20,7km2 [20,52Km2, Censos de 2011], é limitada pelas freguesias de Gondemaria e Olival, Seiça e Nossa Senhora das Misericórdias. A sua população pelos Censos de 2001 contava-se na ordem dos 6.712 habitantes [7.204 habitantes, Censos de 2011].

Com ocupação desde tempos remotos, os estudos arqueológicos aqui levados a efeito, provaram essa realidade (na Quinta da Boa Vista, no lugar da Corredoura, apareceram vestígios – três machados – atribuíveis ao Neolítico; no lugar do Carregal, apareceu cerâmica de construção atribuível à Pré-História Recente; no campo de futebol da Corredoura, aquando da abertura de uma estrada apareceram fragmentos de material de construção e muros da época Romana; na Zona Industrial de Casal dos Frades, aquando das obras apareceram fragmentos de cerâmica de construção, atribuíveis ao período Romano ou Medieval; no sítio de São Lourenço, no Alqueidão, apareceu também cerâmica de construção e doméstica, da época Alto Medieval).

O topónimo primitivo da actual sede de concelho seria Pedela, depois Castela e posteriormente Aldeia da Cruz, segundo a tradição oral, fruto de uma cruz erguida a mando de D. Nuno Álvares Pereira em memória de seu irmão. Esta cruz ainda hoje existe (ou parte dela) junto à Quinta dos Namorados. Segundo a imprensa local, a designação “Namorados” teria por origem uma lenda: “No sopé do monte onde está a Quinta dos Namorados, existiu a Fonte dos Namorados, célebre nas tradições deste povo que nos conta que, numa bela manhã, em tempos muito distantes, ali passaram o dia, conversando, dois namorados, ele com uma grade aos ombros e ela com uma bilha de água à cabeça, sem nenhum deles se lembrar de arrear estes pesados objectos, tal era o enlevo em que se achavam aquelas almas”.

Em 1831 era elevada a freguesia com a unificação das aldeias da Cruz, dos Álamos e Castela, passando a sede de concelho em 1841, por Alvará de D. Maria II, com a alteração do topónimo para Vila Nova de Ourém.
Tamanha elevação ficaria a dever-se ao rápido expansionismo do povoado para o qual contribuiu a deslocação das gentes para o sopé do monte por ocasião do Terramoto de 1755, que tanto atingira a velha Ourém, ou mesmo o mercado semanal já existente em 1734.

Pelos inícios do século XIX, a freguesia não escaparia ilesa às aterradoras invasões francesas, vendo destruídos a maior parte dos seus arquivos e colecções privadas.
Mas o carácter da população de Aldeia da Cruz e a fertilidade da planície em que assenta, fizeram com que a povoação rapidamente se recompusesse do choque provocado pelas invasões e poucos anos depois era já bem notório o seu crescimento.
Importava agora consolidar a economia desta terra, a meta era o progresso. Mas, antes disto acontecer, novo e rude golpe sofreu a freguesia com a Guerra Peninsular. Apenas três anos tinham passado sobre a elevação de Aldeia da Cruz, quando foi aqui colocado o batalhão voluntário de Trancoso. Naiper entrou na povoação no dia 12 de Maio de 1834. No Castelo, as forças opositoras disparavam sobre os escoceses do coronel Shaw e sobre o batalhão móvel de Alcobaça. No meio disto tudo, uma terra e um povo choravam novamente face ao seu infortúnio.

Uma vez mais se partia do quase nada, uma vez mais todas as mãos se davam, todas as forças se uniam e agora nada iria fazer parar a ascensão desta terra. À entrada do último quartel do século XIX, o então presidente da Câmara falava da urgência na concretização de melhoramentos. A Vila passa de Julgado a Comarca em 1875, e começa a rechear-se de edifícios públicos como o dos Paços do Concelho e o da escola, e com o tempo, viria a ser habitada por forasteiros que acorriam às importantes feiras e mercados, deixando-se ficar por aqui a organizar o comércio.
Seria nos finais do século XIX que surgiria a curiosa confusão em torno do orago da freguesia, como Pinho Leal tão bem pormenorizou: “Outra bulha: a memória do Dr. Elyseu diz que o orago d’esta parochia e de Nossa Senhora da Maternidade; o “Couseiro” de Leiria diz que é Nossa Senhora da Purificação; as publicações oficiais dizem que é Nossa Senhora da Piedade; e alguém já lhe deu como orago também Nossa Senhora do Pé da Cruz. Vejam que imbróglio!”.

O título de cidade, em 1991, conferiu-lhe um espírito mais cosmopolita e hoje, esta sede concelhia, é regida pelo comércio e serviços cujos postos de trabalho acolhem gentes de todo o concelho. Mas também proporciona equipamentos socioculturais e muito para ver a quem a visita.

Fonte: Excerto da Obra intitulada “Ourém – Uma História de Séculos, com Novos Horizontes…, Héstia Editores, 2010, págs. 132 e 133.

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